O INTERESSE FILOSÓFICO DE "BATMAN O CAVALEIRO DAS TREVAS": SERÁ BATMAN UTILITARISTA OU DEONTOLOGISTA? OU NENHUM DELES?
Na
parte final do filme “Batman o
cavaleiro das trevas” assistimos à ameaça de explosão sobre Gotham city, protagonizada mais uma vez por Joker, o eterno inimigo de Gotham city
e de Batman.
A
ameaça leva as autoridades a evacuar todos os habitantes da cidade, mesmo aqueles
que estão nas prisões. A partir deste momento o espectador, o próprio Batman,
os habitantes de Gotham city e os agentes da lei são colocados perante grandes dilemas éticos. Objetivo?
Desde
o início do filme que Joker pretende
mostrar que debaixo de certas circunstâncias; chantagem, corrupção, dor, entre outras, as pessoas alteram os seus
pontos de vista em relação à vida, nomeadamente aquilo que deve ou não orientar
as suas ações e a justificação que encontram para isso- a ética. Portanto não há qualquer razão para acreditarmos em justificações racionais e éticas para o que
fazemos. A qualquer momento tudo isso pode desmoronar-se.
Para o Joker, não há qualquer
justificação moral para não matarmos alguém, a não ser que isso dê algum prazer,
mas o contrário também é verdade. A personagem que
ficará conhecida como “two faces” (o
procurador, Harvey Dent), representa isso mesmo: a forma como toma decisões em
relação à ação que vai realizar consiste em atirar uma moeda ao ar. Mas será
tudo uma questão de cara ou coroa?
Para
avançarmos só nos resta agora acompanhar o nosso super-herói Batman. Ao longo do filme esperamos
encontrar respostas aos dilemas éticos que vão ser colocados. Entre um barco
carregado de prisioneiros e um barco carregado de civis qual dos barcos deve
ser poupado? Porquê? Qual o critério que devemos seguir?
Por
que razão não mata Batman o Joker e previne assim toda a dor que pode vir a
abater-se sobre os habitantes de Gotham city? Ou colocando a questão noutros
termos: não será uma boa ação matar o Joker uma vez que o facto dele viver tem
como consequência a infelicidade e dor para os habitantes de Gotham city?
Para
Batman será moralmente aceitável matar alguém? Será aceitável matar para salvar
a cidade? Será que Batman não considera aceitável a morte de outra vida humana?
Será
Batman utilitarista ou deontologista? Ou nenhum deles?
Se
pensarmos no que defendem estas duas teorias filosóficas, o utilitarismo e a deontologia, com certeza que encontramos a resposta. Mas acima de
tudo, estas teorias ajudam-nos a compreender de modo mais profundo qual é o
sentido de alguém afirmar que leva uma vida
boa. Quais são as razões?
Muitas
vezes, aquilo que queremos realizar entra em conflito com aquilo que
efetivamente podemos fazer. Os nossos desejos esbarram com a realidade e
portanto, uma vida boa tem forçosamente de equacionar o interesse dos outros. A ética é justamente a maneira de pensar a
melhor forma de integrar os meus interesses e os interesses dos outros.
Uma justificação que tenha apenas em conta os
nossos interesses e felicidade; é uma justificação ética. O problema está em
saber, se ao transformarmos essa justificação em teoria – egoísmo ético- essa será uma teoria aceitável e conduzirá a uma vida boa.
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